Fim do dia, quase 8h da noite, após jornada de trabalho, me vejo apressada, tentando colocar ordem na casa para garantir equilíbrio e aconchego à pequena família que mora ali: eu e meu filho de 7 anos. A prioridade é ele. Checo a tarefa escolar e enquanto o pequeno estuda, vou arrumando outras coisas. Preparo o jantar, recolho a roupa no varal, verifico a mochila. Lápis, apontador, borracha... não, não tem mais a borracha. E ainda por cima, o estojo está todo grudento com o tubo de cola guardado distraidamente aberto e que me obriga a executar uma operação "limpa-material-escolar-recém-comprado-e-já-destruído" . Desatenções típicas de uma criança em idade escolar.
Paralelo a isso, entremeios de gritos chamando "mamãããããe!!!! me ajuda? tenho dúvidas!!!!". Respiro fundo, tento esquecer o cansaço, um filho me chama. E neste momento desejo com todas as forças que o meu dia tivesse 48 horas. Mas o meu dia livre. Aquele, em que eu pudesse dedicar exclusivamente à formação de um futuro adulto e uma criança feliz agora. Que delícia poder acompanhá-lo nas aulas de violino de acordo com o método Suzuki, em que os pais participam do aprendizado do instrumento para, assim, poder auxiliar os filhos. Vontade de poder fazer isso em uma hora prioritária, e não quando o escasso tempo permite.
Vontade de sentar junto - numa terça-feira, por exemplo! - para apreciar um belo livro ou contar nuvens e estrelas e com elas criar mundos imagináveis e reais. Poder acompanhar as tarefas escolares com prazer, experimentando novamente, como nos tempos de criança, a deliciosa sensação de redescobrir o mundo pelas letras, histórias e números. Vontade de assistir às aulas de judô, só para deixar fluir o lado mamãe coruja orgulhosa da performance do filho, que aprende a cair e levanta mais forte. Sem citar o desejo de poder acompanhá-lo em aulas de equitação, em que menino e cavalo se confudem com cabelos e crina voando ao vento, donos de uma liberdade plena e a caminho de um futuro feliz.
Quem deseja tudo isso é mais uma dentre as inúmeras mães e pais que saem de casa todos os dias para garantir o sustento da família. Seja de um, dois, cinco ou quantos filhos forem. Pais e mães que nem sempre têm a consciência do importante papel que exercem, mesmo com tempo escasso, em ajudar a formar um adulto feliz, responsável, honesto e dono de sua verdade. Tenho a sensação de que estou em meio a uma estratégia de montar uma "empresa", que cresça robusta e bem-sucedida. Só que esta empresa é gente. E toda tentativa de acerto a fará muito bem. Idealizo? pode ser, mas só de ter a consciência desta minha digníssima responsabilidade, aprendo a valorizar cada minuto bem gasto em meio a correria de educar um filho, na esperança de que todo o esforço valeu a pena. E independente do que foi feito ou não, este menino, lá na frente, poderá se orgulhar de si mesmo, ao perceber que ele é, sim, um adulto especial. Graças aos pais, a ele mesmo e até ao tempo corrido em que foi educado e aprendeu a se movimentar. Que assim seja...
Noemia Colonna
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| Post escrito por uma leitora. Obrigada por participar :-) |



























































































