Essa foi a reportagem de capa da Revista do Correio do dia 4 de março de 2012, e, apesar de o nosso blog ser dedicado às mães, pais e seus filhos, não podemos ignorar que é uma realidade cada vez mais frequente a opção de casais por não terem filhos.
O objetivo deste post não é defender ou acusar nenhum dos dois lados (quem quer filho – e não vive vem eles \o/ X que não quer filho), mas apenas trazer o assunto a reflexão e dizer que, assim como nós mães não imaginamos nossa vida sem as pequenas criaturas que geramos, aqueles que optam por não ter filhos, merecem respeito à sua decisão.
Pelo menos acho melhor não ter filhos a tê-los só para “cumprir tabela” e dar satisfação para a sociedade que tudo cobra: - quando ter filhos; - e sem tem, não ter só um, etc.
O protesto aqui é pelo respeito à decisão do casal, que muitas vezes se vê invadido por perguntas e pressão de todos os lados em relação a essa decisão tão íntima e importante.
A reportagem aborda diversos aspectos em relação à opção por não ter filhos, e revela que os casais se sentem sim, vítimas de preconceito.
Há um trecho, intitulado “Derrubando mitos”, que se propõe a derrubar meias verdades “que falham ao definir o perfil dos casais que optam por não ter filhos”.
“Eles não gostam de criança”
Não querer ter filhos não tem relação direta com não gostar de crianças. Muitas mulheres e homens exercem o lado afetuoso e cuidadoso da paternidade e da maternidade com sobrinhos, filhos de amigos, crianças ao seu redor. O casal apenas não quer ter a responsabilidade de gerar e educar uma criança. Seja por falta de condições financeiras, seja por estilo de vida não compatível com filhos.
(Carolina Freitas, psicóloga)
“Toda mulher nasce com o instinto materno”
Podemos dizer que não existe amor materno como instintivo. O amor materno é relacional e, portanto, é construído na vida social. Por isso, um grande mito é aquele que diz que toda mulher deve ser mãe e que esse amor materno é natural quando, na verdade, a relação mãe e filho é construída, ou seja, há para ela a possibilidade da escolha da maternidade.
(Lia Zanotta Machado, professora do departamento de antropologia da UnB)
“Só é possível ser feliz quando se tem um filho”
Ter um filho para se sentir pleno é delegar a outra pessoa — que ainda nem nasceu — uma grande responsabilidade. E se aquela mãe ou aquele pai não se sentem realizados depois do nascimento de seus filhos, a criança acaba carregando o peso dessa frustração. Se um filho estiver nos planos para compartilhar (e não para carregar) essa felicidade, ótimo. O importante é que homens e mulheres saibam que são livres para escolher outro caminho, e que também poderão encontrar a felicidade em uma vida sem filhos.
(Verena Kacinskis, psicóloga)
“Não ter filhos é contra as leis da natureza”
A mulher não é uma fêmea submetida apenas aos desígnios de sua espécie. A mulher é um ser dotado de uma história e imersa em um universo simbólico — isso a distingue e lhe permite fazer escolhas pessoais quando a sociedade oferece outros caminhos de realização, além do da maternidade.
(Luci Helena Baraldo Mansur, psicanalista)
“Casais que não querem filhos são egoístas”
Não querer engravidar pode ser sim uma decisão egoísta, mas o casal tem o direito de querer liberdade e não vivenciar as turbulências, boas e não tão boas, de se criar um filho. Engravidar também tem suas razões egoístas: ter filhos porque todo mundo tem, por vaidade, para dar continuidade ao nome da família, para ser cuidado na velhice, para amar e ser amado. Então, ter ou não ter filhos pode ter seu lado egoísta. Isso não é necessariamente ruim. É melhor optar por não ter filhos a tê-los e abandoná-los ou negligenciá-los das mais diversas formas.
(Carolina Freitas, psicóloga)
“Minha vida financeira vai à ruína se eu tiver filhos”
Para se ter filhos é preciso entender que esse investimento é por, no mínimo, 25 anos, sem contar os 9 meses de gestação. Em uma pesquisa, o Instituto DSOP de Educação Financeira apurou que um casal gasta em média 40% do orçamento total da casa tendo um filho. Isso corresponderia a uma média de R$ 20 mil por ano para uma criança. Portanto, se há a intenção de se ter filhos, o melhor é saber na ponta do lápis o que vai se investido. Exemplos: maternidade, berço, assistência médica, roupas, escolas, alimentação, presentes de aniversário, Dia das Crianças, páscoa, formatura, carro aos 18 anos e, em alguns casos, casamento. O encarecimento para ter um filho nos dias atuais se dá porque, hoje, as necessidades criadas em uma sociedade de consumo são maiores.
(Reinaldo Domingos, educador financeiro)
“Eles vão sentir solidão na velhice”
Ter filhos não é garantia de tê-los próximos na velhice. Não são todas as relações entre pais e filhos que prezam pelo amparo. Se ter filhos garantisse cuidados na velhice, não teríamos, como hoje, muitos idosos abandonados. As boas relações são o que garantem a não solidão na velhice.
(Carolina Freitas, psicóloga)
Enfim, respeito, seja qual for a decisão do casal, é o que deve prevalecer.
Leia aqui a íntegra da reportagem.