21 de julho de 2012

Bebês com assimetrias cranianas merecem atenção total dos pais


Vez por outra recebemos mensagens de leitoras do blog trazendo temas importantes e, muitas vezes, pouco conhecidos ou abordados no cotidiano. Hoje, por exemplo, trazemos um tema delicado e que merece espaço: assimetria craniana.

Se você, assim como muitas de nós, não tinha tido contato com tal nomenclatura, bem-vinda(o) e aproveite alguns minutos de leitura para conhecer um pouco mais dessa situação. O texto é do caderno Saúde e Bem Estar do jornal O Estado do Maranhão (edição de 29 de janeiro de 2012).



Os primeiros meses de vida das crianças são, normalmente,os mais difíceis, especialmente para os pais de primeira viagem. As preocupações e até os "pitacos" dos familiares e de amigos se acumulam.
As dicas sempre têm relação com a forma com que a criança deve ser cuidada. Em algumas situações também podem surgir elogios e críticas. É cada vez mais comum que os pais ouçam coisas como "será que a cabeça do seu bebê não está torta?". A reação inicial é de negação. Depois vem o períodode observação e, em seguida, surgem inúmeras dúvidas, que são devidamente colocadas ao pediatra durante a consulta seguinte.

Até o início deste ano não havia tratamento para assimetrias cranianas no Brasil. A conduta comum entre os pediatras era o acompanhamento da evolução do caso e encaminhamento do bebê para consulta com um neurocirurgião pediátrico,que realiza uma série de exames para descartar casos de cranioestenose ou tumores. Excluídas essas possibilidades, o diagnóstico normalmente é de plagiocefalia posicional, problema que precisa ser tratado entre os quatro e 14 meses de idade - passado este período, as suturas cranianas da cabeçado bebê se fecham e a correção se torna impossível.

Especialista em assimetrias cranianas, Gerd Schreen passou pela situação há poucos anos. Por ser médico, resolveu pesquisar o tema a fundo. Não poderia fechar os olhos para o problema apresentado por sua filha e deixar de lhe oferecer qualquer tratamento. Por conta disso, estudou o tema e descobriu tratamento nos Estados Unidos. Toda a sua família viveu durante seis meses no país para que seu bebê pudesse receber atenção adequada.

Por conta da experiência, conheceu outros casos de famílias brasileiras - algumas que, inclusive, não contavam com recurso suficiente para viver em outro país para a ação corretiva. Diante do cenário, resolveu investir suas fichas em uma especialização na área e trouxe ao Brasil toda a tecnologia necessária para a realização do tratamento das assimetrias cranianas, entre elas a plagiocefalia posicional, a braquicefalia e a escafocefalia.

Acompanhe na sequência um bate-papo bastante esclarecedor com o Dr.Gerd Schreen sobre assimetrias cranianas:

O que é a plagiocefalia posicional?
Dr.Gerd Schreen -  Plagiocefalia posicional é uma deformidade do crânio presente em muitos bebês. A palavra origina-se do grego e significa cabeça oblíqua. Para facilitar o entendimento, imagine-se olhando a cabeça do bebê decima para baixo. Na plagiocefalia há a nítida impressão de que a cabeça está torta, ou seja, um dos lados fica mais achatado e outro mais proeminente. Pode haver achatamento posterior (na região chamada de occipício), anterior (na região frontal), assimetria facial e desalinhamento das orelhas.

Quais são as principais causas do problema?
Dr. Gerd Schreen - 
Geralmente,a plagiocefalia posicional está associada ao apoio viciado em uma parte da cabeça.Várias condições levam a isso,sendo a mais frequente o torcicolo congênito, que faz com que a criança tenha uma preferência a girar a cabeça para um dos lados. Outras causas são a posição em que a criança ficou encaixada na pelve da mãe, gestação gemelar ou um trabalho de parto prolongado.

Quais as principais formas de prevenção?
Dr.Gerd Schreen - 
A melhor forma de se prevenir a plagiocefalia posicional é alternar o apoio na cabeça da criança, seja na hora de dormir, para amamentar, trocar a fralda, brincar, etc. Esse cuidado deve ser tomado por todos os que cuidam do bebê (pais, avós, babás e outros). Atentar para o formato do crânio e identificar precocemente assimetrias que fogem ao padrão de normalidade ajuda a tomar as providências corretas a tempo de evitar suas consequências.

Como os pais podem identificar que o bebê tem esse problema?
Dr.Gerd Schreen -  
A observação atenta do formato do crânio do bebê pode ser feita em casa e identifica as assimetrias mais importantes. No site www.cranialcare.com.br há um guia bastante útil para auxiliaros pais nessa análise. O pediatra poderá identificar as assimetrias no exame físico regular e orientar aos pais quantoa o reposicionamento e outras opções de tratamento.

Pode ser considerado um problema meramente estético? Haveria casos em que, apesar de uma deformidade nos primeiros meses, a cabeça assume o formato normal sozinha mais adiante?
Dr.Gerd Schreen -  
A maioria das assimetrias cranianas, quando identificadas e tratadasa tempo, regride apenas com o reposicionamento e eventualmente alguns exercícios físicos para a musculatura do pescoço. Mas, é preciso agir rápido para não perder o precioso tempo em que a cabeçada criança cresce rapidamente e permite ser moldado. Apenas nos casos em que não há regressão com o reposicionamento, ou este é insuficiente, pode-se lançar mão do uso da órtese craniana, uma espéciede capacetinho que, sem nenhuma dor ou sofrimento, molda o crescimento do crânio conduzindo-o de volta à normalidade.

Em que momento e situações os pais devem realmente se preocupar? Como confirmar as suspeitas?
Dr.Gerd Schreen - 
Nos casos em que não houver evolução a contento do formato da cabeça, mesmo com o reposicionamento, deve-se buscar uma avaliação especializada. É imperioso que se diferencie a plagiocefalia posicional da cranioestenose, doença em que há fechamento precoce das suturas cranianas e cujo tratamento é cirúrgico. Geralmente, a diferenciação é feita apenas pelo exame físico, mas pode ser necessária a realização de uma tomografia computadorizada.

De que forma se pode buscaro tratamento?
Dr.Gerd Schreen -  
A avaliação precisa com o diagnóstico correto é o primeiro passo para escolher o melhor tratamento. Uma avaliação fisioterápica também é necessária para diagnosticar corretamente o torcicolo congênito. O tratamento escolhido deve ser conduzido por equipe habilitadae treinada para esse fim. A CranialCare é a primeira clínicaespecializada no tratamentodas assimetrias cranianas daAmérica Latina e tem condiçõesde oferecer todos os recursosnecessários para o diagnósticoe tratamento.

Como é o tratamento e qualsua eficácia?
Dr. Gerd Schreen - 
O tratamento com órtese craniana consiste no uso de um capacetinho feito sob medida para cada bebê, moldando o crânio na fase em que a velocidade de crescimento é maior, ou seja,dos 4 aos 14 meses de idade. A órtese deve ser usada 23 horas por dia e o tratamento dura cerca de três a quatro meses. O primeiro passo é a avaliação com o médico e com a fisioterapeuta. Nessa ocasião, também é feito um escaneamento tridimensional a laser que, além de subsidiar o diagnóstico, serve de molde virtual para a confecção da órtese, importada dos EUA. Durante o tratamento, são feitos ajustes quinzenais na clínica em São Paulo, estrategicamente localizada ao lado do Aeroporto de Congonhas devido ao grande número de pacientes provenientes de fora da capital paulista. Invariavelmente, há uma melhora do formato da cabeça do bebê, trazendo-o para dentro do padrão de normalidade.Os pais sempre ficam muito satisfeitos com o resultado de um esforço conjunto em busca do bem-estar de seu bebê para o resto da vida.

Quais podem ser as consequências, se o problema não for tratado?
Dr. Gerd Schreen -
 O não tratamento nessa fase inicial da vida condena o bebê a conviver com a assimetria por todaa sua vida. As consequências psicológicas são imprevisíveis pela imensa quantidade de variáveis que influenciam esse aspecto. Alguns estudos relacionam a plagiocefalia posicional a problemas no fechamento da mandíbula e desalinhamento visual no futuro.

Há alguma estatística do númerode casos do problema noBrasil e no mundo?
Dr.Gerd Schreen -  Embora não haja dados estatísticos aindano Brasil, assumimos quenossa população não difere deforma relevante da americanae europeia nesse aspecto. Estudosespanhóis e norte-americanosmostram que cerca de12% das crianças saudáveisnascem com alguma assimetriacraniana. Desses a maioriaregride espontaneamente oucom técnicas simples de reposicionamento,mas 3% precisariamde uma opção a mais, comoa órtese craniana paraatingir um formato de cabeçanormal.

Há relação entre o aumento donúmero de casos da plagiocefaliaposicional e a recomendação dos pediatras sobre a posição de dormir em decúbito dorsal, para reduzir a síndromeda morte súbita do lactente.Isso é verdade? Comofazer para se prevenir de umproblema (a morte súbita) semcriar outro (a plagiocefalia)?
Dr.Gerd Schreen - 
É verdade. Houve um importante aumento do número de casos de assimetrias cranianas, especialmente a plagiocefalia posicional e a braquicefalia, ambas relacionadas ao apoio exagerado na região occipital da cabeça. A recomendação é legítima e deve ser seguida, mas deve-se atentar para alternar o local de apoio (um pouco para a direita,depois um pouco para a esquerda,etc). Deve-se evitar também o uso exagerado do bebê conforto, onde geralmente, por conveniência, as crianças são deixadas por horas a fio. Por fim, quando a criança estiver acordada e sob supervisão, deve-se estimular que ela fique de barriga para baixo, procurando levantar a cabeça, excelente exercício para a musculatura posterior do pescoço, chamada pelos americanos de Tummy Time.